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Psicanálise

Nossas crianças loucas: como isso é possível nos dias de hoje?

Diante do artigo “Como se fabricam crianças loucas”não consegui resistir ao apelo do título e mais, ao drama do seu conteúdo. Lendo-o senti o coração apertando na exata medida em que tentava – sim, só tentava porque não é possível conseguir de fato – imaginar o que foi vivido pelas crianças citadas no artigo e na dissertação que o originou: marcas indeléveis de sofrimento que acabaram por definir a identidade desses sujeitos em potencial.

Abaixo, um trechinho do texto que deve ser lido – nem que seja para nos desacomodar:

Flávia afirma: “As internações são motivadas por uma combinação complexa, que resulta numa situação de vulnerabilidade. A resposta da internação psiquiátrica, além de redutora de complexidade, é ela mesma produtora de maior sofrimento. A internação por ordem judicial revela uma concepção sobre a infância e a adolescência pautadas no medo e no perigo. Propõe uma resposta única a todas as situações, sem considerar diferenças, singularidades e contextos. Reduz crianças e adolescentes ao status de paciente psiquiátrico perigoso, produzindo sua cronificação”. É assim que se fabricam crianças loucas.”

 

Confiram todo o material nos links disponibilizados acima: as histórias de Raquel e José (sujeitos dessa trama infelizmente verídica) hoje se fazem ouvir – ou se fazem ler, no caso – e isso tem que nos ensinar alguma coisa.

Lucian Freud: A obra e a herança

Fiquei profundamente interessada e igualmente feliz – por interesses “pessoais-profissionais” – pelo fato da Reunião de Abertura do Ano Científico da SPPA (Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre) ser sobre o ilustre Lucian Freud. Artista que descende de uma família por si só muito renomada, mas que igualmente deixou uma marca muito especial através da arte.

Confiram as informações completas no site da SPPA: http://site.sppa.org.br/ .

E abaixo, curtam fotos de duas das obras desse artista, ambas no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid:

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Matéria na Revista Nex Day: Mil Histórias para Sonhar

Nex Day Revsita fig. capa

 

Nesse mês a Revista Nex Day publicou a matéria “Mil Histórias para Sonhar: No mundo de Faz de Conta” que aborda a questão das estórias infantis e contos por diversos pontos de vistas, incluindo o meu, como psicóloga infantil.

Na matéria aponto que os contos infantis possuem uma importância bem significativa para o desenvolvimento infantil, isso em função de os mesmos são equivalentes a “pontes” entre o mundo interno das crianças (fantasia e realidade interna) e o externo (pais e pessoas reais, situações reais de ansiedade e de desenvolvimento esperado).

Os contos ou fábulas podem ser entendidos como uma forma de acesso controlado e seguro, e ainda, possibilita a vazão de aspectos não toleráveis socialmente, como citado acima: “é o João e a Maria que mataram a bruxa num caldeirão de água fervente, não tem nada a ver comigo, embora ache muito legal a estória e queira a ouvir diversas vezes.”.

Ainda podemos dizer não é preciso haver uma “moral” explícita para que cause impacto sob a forma de registros na criança, isso porque estamos falando de conteú
dos predominantemente inconscientes.

A possibilidade de transitar por esse mundo de faz de conta diz do quanto a criança possui uma flexibilidade criativa, o que pode nos falar do seu potencial de saúde. Para crianças o “fazer de conta” deveria ser algo natural.  Aos poucos, com o amadurecimento e a inserção cada vez mais intensa nas questões relativas a idade adulta, as crianças vão descobrindo através de sua própria experiência e trocas com os pares, o que diz respeito a ordem da fantasia e o diz respeito a realidade. Logo, essa descoberta deveria ser algo natural, evitando quebra abruptas. Entretanto, podemos afirmar que há consenso entre os especia

lista que não existe fórmula para isso.

Confiram a matéria completa na Revista, na qual inclusive consta partes originais  do texto acima (Referência: Revista Nex Day, 9ª Ed. , ano 2013 ).

REvsita Nex Day

 

Filhos: melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabê-lo?

Já dizia o poeta:

“Filhos… Filhos?

Melhor não tê-los!

Mas se não os temos

Como sabê-lo?” (Vinícuis de Moraes)

 

 Embora ninguém possa desautorizar as palavras eternizadas do poeta, e muitos de nós concordemos com elas, já parece não ser consenso a necessidade aparentemente inerente do ser humano em ter filhos. Ainda, parece que a “necessidade” implícita na poesia também já não vigora mais com dominância suficiente para não ser ao menos questionada.

 

No jornal Zero Hora desse domingo (20 de outubro de 2013) em uma extensa reportagem mulheres, em sua maioria, mencionaram no texto seu não desejo pela maternidade e o que as levaram a esse posicionamento, aparentemente tão avesso ao que se espera de mulheres e casais maduros (em vários sentidos). Os argumentos são diversos, assim como as citações de estudos sobre a razão pela qual não ter filhos ou tê-los seria importante, bom ou ruim. O fato, aparente ao menos, é que esses sujeitos que optam por uma vida sem prole cresce e demanda mais espaço para essa nova forma de se constituir como família ou como forma de desejo autorizada socialmente.

 

Uma das colocações me chama especial atenção, referindo-me a um depoimento de uma mulher que optou por não ter filhos em sua relação, disse ela, mais ou menos nessas palavras: “Não há vazio a ser preenchido.” Essa frase me despertou atenção não somente por ser direcionada a ter ou não filhos, e o destino a que muitos desses filhos parecem destinados nas suas histórias familiares: sanar o vazio de existências incompletas. Chama-me a atenção de forma ampla: como nós, como sujeitos e sociedade, depositamos em um outro nossas expectativas de completar as nossas vidas, as quais, possivelmente, inadvertidamente, não conseguimos por nós mesmos. Isso vale para filhos, maridos, esposas, parceiros, amigos, amigas, parentes.

 

Ao contrário de uma postura narcísica, na qual através de um egocentrismo tortuoso, o sujeito se basta, pensei na perspectiva do sujeito não prescindir do outro necessariamente, mas não utiliza-los para tamponar buracos cavados somente a duas mãos, na maior parte dos casos. Não se trata de preencher vazios, trata-se de abrir novos espaços. Quando se quer colocar alguém em algum lugar vazio, é porque já havia espaço predestinado. Se há esse espaço, há uma configuração à espera. Com ela a expectativa inerente e a frustração logo adiante. Preencher vazios é como oferecer o já usado, o que sobrou, o já instalado, o lugar empoeirado. Construir espaços me parece diferente, mais próximo do que os sujeitos podem ser uns em relação aos outros, mais genuíno, onde até a poeira é diferente: porque ela surge da ação, não do vazio.

Dia 27 de Agosto: Dia do Psicólogo

Hoje, no dia em que comemoramos o dia do Psicólogo, além de parabenizar os colegas psicólogos, gostaria de expressar meu desejo pelo sucesso no caminho dos estudantes que hoje se preparam para exercer essa profissão, que longe de ser fácil, simples ou pouco trabalhosa, nos surpreende diariamente através da prática!

 

Esse tema é tão interessante para mim que já escrevi aqui no Blog sobre questões que norteiam a construção da identidade profissional na nossa área. Sendo assim, dedico a todos vocês, colegas e futuros colegas, um texto que gosto muito e ao qual fui apresentada por uma das grandes mestres que tive,  Joyce Goldstein, que chama-se “Fora um dinossauro, o que é que tu queres ser quando cresce?: recomendações a um jovem psicoterapeuta”. Dele, em especial tomo emprestado um trecho que faz referência a um grande teórico, Donald Winnicott, segue:

 

” O trabalho não pode ser tão absorvente que afaste o terapeuta da vida: é preciso haver tempo para pensar, sentir e viver. […] Estar dentro do curso da vida é o objetivo de todos os seres humanos, no caso do terapeuta, porém, trata-se de uma obrigação profissional.”

 

Parabéns pelo nosso dia e obrigada a todos os meus mestres!!!

 

O Brincar e o Desenvolvimento Infantil

bebe e chocalho

 

 

Semana passada (dia 23 de agosto de 2013) fui convidada a falar em um seminário promovido pelo Programa Primeira Infância Melhor sobre o Brincar e o Desenvolvimento Infantil, temática já abordada aqui no Blog, e que retomo dada a sua importância no desenvolvimento infantil e nas implicações que o processo / ato pode ter na família.

O brincar possui influencia em múltiplas áreas do desenvolvimento da criança, assim como pode ser utilizado como uma ferramenta de intervenção de áreas quando o enfoque é na família e na criança.  Do ponto de vista psicológico, o brincar pode ser entendido como o que constitui o fundamento da cultura, ou seja, fornece uma espécie de molde para as relações futuras, com o mundo, com os demais sujeitos e consigo mesmo.

O brincar para a criança é compreendido como um ato repleto de significados, é uma atividade comprometida, até poderíamos dizer, séria – assim, como várias atividades para os adultos – e sendo assim comporta em si a possibilidade de transformar sua realizada interna, ou seja, através do brinquedo a criança pode “achar soluções” para suas angústias, repetindo situações de prazer ou de desprazer.

Logo, dessa perspectiva em especial, notamos que os bebês possuem formas de brincar bem típicas e esperadas para determinadas faixas etárias, vejamos algumas até o primeiro ano de vida do bebê:

  • Do primeiro ao sexto mês do bebê, sua atenção está quase que totalmente focada na figura materna: a exploração do corpo dessa pessoa através do cheiro, do tato, do sabor da pele (amamentação), dos tons da voz irão fomentando esse mundo interno de fantasias, enriquecendo o bebê;

 

  • É fundamental que a pele da mãe esteja em contato com a do bebê: só gradativamente deve ir se afastando e cedendo espaço para as demais atividades, dentre elas o brincar propriamente dito;

 

  • Especificamente entre o 3º e o 4º mês do bebê há uma clara maturação desse sujeito: suas capacidades fisiológicas estão mais aguçadas e psiquicamente a criança começa a ter uma noção de integralidade das coisas (objetos): como por exemplo, a mãe é uma pessoa diferente dele, boa e má ao mesmo tempo. Nesse mesmo período há o primeiro brincar propriamente dito, a atividade lúdica tem seu início: brinca de se esconder com os lençóis, paninhos ou cobertas, buscando elaborar a angústia do desprendimento – o objeto mãe passa a ter a característica de “poder ser perdido” (quando não o vejo): é o brincar de perder e achar. Brinca com o seu próprio corpo e objetos circundantes: balbucios, por exemplo;

 

Percebemos aqui que o Chocalho é o brinquedo que mais chama atenção do bebê: o chocalho e a palavra passam a ser alvo de atenção: o som aparece e desaparece;

 

  • Ente o 4º e o 6º mês os sons tomam mais intensidade e percebe-se que a brincadeira fica centrada no jogar os brinquedos para o chão esperando que os mesmos sejam devolvidos, aprimorando sua capacidade de experimentar o poder de perder e recuperar o que ama – embora, para o adulto seja extenuante esse jogo!

 

Nessa época, a criança exige mais dos pais, da sua presença concreta, isso porque paradoxalmente encontrou a via de elaborar suas angústias de separação/perda; O pai entra em jogo também – sua presença passa a ser muito relevante (o pai vem se colocar como um terceiro nessa relação e concomitantemente reforça-la);

 

 

  • Aos 6 meses um novo interesse lúdico surge: brinquedos que são ocos: tirar e botar – esse grande descobrimento vem a ser, na fase adulta, a forma como manifestará o amor: entrar e sair de alguém, dar, receber, unir-se ou separar-se. Aqui, os objetos prediletos passam a ser de tamanho pequeno. O brincar passa, gradativamente, do seu corpo para objetos inanimados, entretanto, nessa fase tudo deve servir para tirar e pôr, unir e separar;

 

  • Entre os 8 a 12 meses a questão da sexualidade toma a cena e meninos e meninas passam a explorar esses conteúdos nas suas brincadeiras. A exploração do ambiente é mais intensa, uma vez que os bebês já engatinham e alguns já colocam-se em pé, afastando de forma voluntária;

 

O símbolo da sua capacidade criadora passa a ser o que seu corpo mesmo produz: urina e fezes. Embora, não possa brincar com isso, uma vez que os adultos não permitem, outros elementos serão utilizados como substitutos permitidos: areia, massa de modelar, argila. Nessa fase os tambores e bolas emergem como brinquedos mais interessantes. O tambor simboliza algo do materno e da comunicação, além de ser satisfatório em termos de descarga motora – tendências agressivas.

 

Referência para Pesquisa:

Aberastury, A. Acriança e seus jogos. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.20130826_172701

 

 

Agenda

Nessa sexta-feira (23 de agosto de 2013)  falarei sobre o processo de desenvolvimento da criança e suas profundas articulações com o Brincar no V Encontro Municipal de Porto Alegre, RS.

 

Afinal, brincar é coisa “séria”! O tema é tão relevante para a infância e para a prática dos profissionais que trabalham com crianças que já discutimos essas questões aqui no Blog algumas vezes, confira abaixo:

http://conversadegentemiuda.wordpress.com/2011/08/05/com-que-seu-filho-brinca/

http://conversadegentemiuda.wordpress.com/2011/08/04/e-brincando-que-a-gente-se-entende/

 

 

Após essa fala, postarei novas contribuições sobre o ato do brincar no Blog!

Até mais!

 

O TDAH e suas variações

Recentemente está sendo veiculado uma notícia de que crianças francesas possuem menos TDAH do que crianças norte-americanas (Confira a notícia original no link).

O TDAH, conhecido popularmente como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, não é novidade nenhuma para nosso sociedade ou para nossas crianças. Ele só vem trocando de nome e, como uma tsunami, engolfando cada vez mais um número maior de sujeitos.

Esse diagnóstico fico tão popular, de uso tão banal, que a medicação que deveria ser utilizada em casos em que há uma real necessidade está igualmente banalizada, e é comum adultos utilizarem-a para poder, pelo menos em um plano teórico, ampliarem sua capacidade de concentração em véspera de provas, por exemplo. Hoje, qualquer um atribui o diagnóstico de TDHA à seus filhos, alunos, conhecidos e até a si mesmo. Basta mexer-se mais do que o tolerável e pronto: saindo mais um TDAH!

Entretanto, esse transtorno possui cerceamentos necessários de serem respeitados quando se pensa em diagnóstico, e com isso, o seu respectivo tratamento. O parâmetro não deve ser, em instância alguma, o quanto uma criança “incomoda” pontualmente um ou outro adulto com seu impeto infantil: mover-se, ser curioso, não satisfazer-se com o “Porque sim!” ou o “Porque não!”. Que criança saudável tolera a inércia? Ainda, concordo com a reportagem (link acima) com a questão de considerarmos o tempo todo que os fatores são multideterminados quando se tem esse quadro em vista.

Em resumo, o que se esquece parece que é o que se quer esquecer: o diagnóstico de qualquer transtorno ou doença mental é sério, necessita de uma avaliação minuciosa e requer paciência e investimento ( de tempo, de afeto e financeiro, por certo). Na ânsia por sanar a “agitação intolerável” e sem nome de uma criança, joga-se com as mesmas peças: rapidamente se localiza um diagnóstico, rapidamente se usa uma medicação, rapidamente se esquece do que aquele sofrimento então queria comunicar. E, por fim, cala-se.

 

 

 

Quando penso no futuro, não esqueço o passado… Já dizia Paulinho!

Há alguns dias a música “Dança da Solidão” invadiu minha mente e quando a escuto a salta para mim as seguintes partes:

“Meu pai sempre me dizia:
Meu filho tome cuidado,
Quando eu penso no futuro,
Não esqueço o meu passado
Oh!..” (Paulinho da Viola)

                Essa parte da música remete-me a história pessoal que cada um nós trilha para nos havermos com o que somos hoje. Ou seja, não é preciso poderes mágicos para entender o que está por vir na vida nossa de cada dia, basta não esquecer o passado.

O tal passado, longe de dever ser entendido como correntes pesadas e imobilizadoras, é uma espécie de livro que escrevemos diariamente e que se lido, folheado com cautela, pode nos ajudar a dar uma espiadinha no que nos aguarda a frente, no futuro. Nossas formas de relacionamentos, amores, desgostos, rancores, traumas, felicidades, todos esses vão delineando lentamente nossas personalidades e nos empurrando por caminhos que, embora possam ser doloroso em um primeiro momento, são da ordem do conhecido, são caminhos com os quais sabemos lidar e que podemos prever, dando a falsa sensação de controle sobre a vida.

Entender o passado não é um clichê psicanalítico, é uma forma poderosa de mergulho, cuja superfície não será, nem de longe, superficial.

Vamos sair dos nosso quartos, pessoal!

Revisitando um artigo anterior – de novembro de 2011 (http://conversadegentemiuda.wordpress.com/2011/11/02/o-que-pode-acontecer-em-um-quarto/  ) – escrevendo sobre o livro “Quarto”, da autora Emma Donoghue, cujo história é sobre um menino de 5 anos que vive desde seu nascimento circunscrito a um quarto e cuja convivência é exclusivamente com sua mãe – eventualmente, recebendo a visita do “velho Nick”, sujeito que sequestrou essa jovem e a manteve em cativeiro, incluindo após o parto desse pequeno narrador.

Na época, ainda lendo o livro, não sabia exatamente como o texto iria transcorrer, mas no decorrer dele, um ponto que julgo interessante e que pode extrapolar o livro é justamente a noção de self que desenvolvemos e com isso, a perspectiva de mundo que temos – no caso desse pequeno refém, seu mundo era o quarto, e suas referências de mundo era esse local e sua mãe. Em várias passagens, o pequeno comenta que depois da janela – uma claraboia – o mundo acabava, não havia mais nada, e quando lia isso imediatamente pensava em tempo remotos da nossa história como civilização, na qual também tínhamos uma compreensão de que, onde não conhecíamos ou não enxergávamos, logo, não existia. Essa noção, essa ampliação, é desenvolvida no decorrer da maturidade da humanidade e de cada sujeito.

Ampliando essa questão, quando passamos por alguma situação qualquer no percurso da vida, tendemos a julga-la pelas referências que temos, o que pode ser muito limitado ou limitador. Parece-me que o preconceito entra nessa fresta mal acabada da nossa formação emocional, moral e social: quando não conhecemos, julga-se não a partir de uma realidade ampliada, mas exclusivamente por um crivo pessoal, singular e restrito, o qual desenvolvemos no decorrer de nossas vidas – e é fundamental – mas que não é A forma de ver e compreender os fenômenos, é UMA delas. E parece que lembrar disso é tão difícil, quanto aplicar!

No desenrolar da trama, algumas reviravoltas acontecem – e podem ficar tranquilos que não vou citar nada além do já referido, para não perder o gostinho de novidade quando o livro for lido, ok? – e a questão da percepção e suas implicações também se modificam, o que me fez pensar, então, no processo de amadurecimento esperado de todos nós: quando pequenos,  nossas referência são restritas, afinal, nossas capacidades de absorção também são menores e portanto, precisam de uma dose mais homeopática. Crescendo, ampliando nossa capacidade de ver – vendo e conhecendo outras realidades – novas janelas se abrem e o que antes era absoluto, relativiza-se radicalmente. Parece fundamental, como para o pequeno refém do livro, nesse percurso possuir capacidades para essas aquisições, assim como uma larga flexibilidade para lidar com tudo o que é imprevisível e estranho.

Difícil mesmo é quando, o adulto, já se esperando essas aquisições de perspectiva e relativização dos fatos, encontra-se amarrado a uma visão muito pequenininha da vida, como se olhasse tudo não pela janela ou do jardim, mas pelo buraco da fechadura do quarto que cada um de nós constrói para si. Vamos sair dos nosso quartos, pessoal!

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