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Identidade

Antes da cor da minha boneca

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No ano anterior escrevi no BLOG sobre brincar de boneca, motivada especialmente por uma reportagem que falava do quanto brincar de boneca é importante para as crianças.

Esse brincar envolve um processo de identificação muito complexo e fundamental para o desenvolvimento psíquico do miúdo. A identificação é um dos mecanismos de defesa que os indivíduos (saudáveis, inclusive) utilizam e o qual serve como importante ferramenta para a constituição da identidade. Semana passada uma miúda chama atenção da mídia quando escolhe uma boneca negra para ganhar de sua mãe. A questão toda foi o impacto que essa escolha causou na vendedora da loja que não entendia a razão pela qual uma menina branca escolhia uma boneca negra. Ver reportagem: http://www.geledes.org.br/essa-boneca-nao-parece-com-voce-resposta-de-garota-de-2-anos-vendedora-e-fabulosa/

Sophia, a menina com sua boneca, deu uma aula sobre processos de identificação: a cor da boneca não era um fator para ela, antes disso (e mais importante que isso!) o que a chama e cola nela era o que a boneca representava: uma boneca bem sucedida e bonita. É claro que esses estereótipos também podem ser questionados, nada mais justo. Contudo, há de se convir que é um grande passo para uma miúda e para uma sociedade marcada historicamente pela escravidão e preconceito racial.

O fato de Sophia conseguir enxergar além do óbvio e da superfície que é a pele – dentro de uma sociedade que parece relutar para abrir mão de uma cultura de exclusão – pode nos indicar que há uma geração apontando com novas estruturas identificatória. Será bom? Será ruim? Será diferente? Só o tempo, como sempre, conseguirá dar conta desses questionamentos, mas dá uma certa esperança, não dá? 😉

As Exigências da Infância, Jornada Anual do Ceapia

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Queria registrar sobre a Jornada do Ceapia desse ano a qual foi muito boa!
Com o tema As Exigências da Infância abordou desde questões escolares, relações parentais, tecnologia e a técnica psicoterápica, todas articuladas com o tema central. As falas das convidadas foram ótimas e destaco a primeira mesa de sábado, Discussão Clínica na qual foi apresentado um caso e discutido por duas psicólogas e psicanalistas, uma delícia de acompanhar!

Os Temas Livres, apresentação de trabalhos, também sempre é um ponto a ser destacado: valeu muito a pena, tanto em participar como poder escutar o trabalho dos colegas. Nesse ano, pude participar pela primeira vez como comentarista, atividade a ser realizada logo após a apresentação.

O tema que contemplamos foi a respeito da adolescência e suas inquietações esperadas ou não, perpassando pela discussão do corpo nessa fase, alienação e transgeracionalidade.

Abaixo, alguns pontos que escrevi e apresentei sobre o tema:

Autores defendem perspectivas diferenciadas sobre quando a adolescência começou: é um fenômeno pós guerra? Sempre existiu? Exemplo dessas discordâncias podem ser vistas nos textos de Calligaris, Levisnki e Jeammet, Corcos, por exemplo.

Demandas diferentes, intensas ou não, abusivas ou omissas, atuações ou o pensar em marcha, tudo isso incide sobre o  corpo adolescente que se produz numa espécie de novo nascimento – contudo, um nascimento que parte de uma história com muitos capítulos, muitas vivências, muitos desejos interpostos. Além do corpo, há concomitantemente o processo identitário e alienante que também se encontram em cena. Com isso em mente, a música de Nando Reis me veio a mente, A Letra A:

“A letra A do seu nome
Abre essa porta e entra
Na mesma casa onde eu moro
Na mesa que me alimenta

A telha esquenta e cobre
Quando de noite ela deita
A gente pensa que escolhe
Se a gente não sabe inventa
A gente só não inventa a dor
A gente que enfrenta o mal
Quando a gente fica em frente ao mar
A gente se sente melhor”

Sobre o nome, entre em sua casa, pensa que escolhe? Justamente, introduziu-se para mim essas questões da alienação do adolescente, da relação com mãe-pai, da trasgeracionalidade.
Pergunto-me: rompe-se com as identificações alienantes? Trata-se de um desejo em relação a isso? Ou ainda, busca-se outras novas possibilidades de alienação? Vive-se sem alienar-se? Essas questões parecem-me que poderão ser desenvolvidas e elaboradas num processo esperado ou saudável de adolescer, uma vez que com a maturidade o sujeito percebe-se num axioma complexo de relações, necessárias e vitais, nas quais pode-se graus distintos de alienação emergem, sem necessariamente engolfar tudo o que há de ter de genuíno em um sujeito.

Constituir-se como sujeito diferenciado nessa etapa da vida é um processo muito difícil e delicado: é um jogar-se no vazio sabendo que há pessoas relevantes a lhe segurar e lhe trazer de volta – os pais, no caso. É um ir e vir, buscando a si de forma incessantemente inédita, entretanto , a delicadeza cabe exatamente que esse inédito é só uma forma de dizer, porque não é de todo, nunca será, não pode ser. Contudo, nesse momento de vida precisa ser vivido como tal.

Sem esquecer, claro, que a sensação do inédito está seguramente velada pelos olhos atentos das figuras de cuidado, as quais conseguem se afastar e se aproximar, tal como uma rede elástica de segurança que contém o corpo em queda. Essa rede de segurança – a qual não aprisiona, nem larga – em um desenvolvimento esperado vai se costurando e se adaptando naturalmente, quando isso não é possível devido a dificuldades na relação parental, talvez o processo psicoterapêutico seja o ambiente para essa confecção, a quatro mãos – ou seis, ou oito, se a mãe e o pai puder / quiser – amplificando as possibilidades e recursos psíquicos.

Parabéns a Comissão Organizadora e até ano que vem!

Contratransferência: Um dueto na psicoterapia

Texto dedicado aos jovens colegas

 

Quando pensamos em um atendimento psicoterapêutico é muito comum o foco recair sobre o paciente de maneira exclusiva. E esse raciocínio não está de todo equivocado, entretanto atualmente a psicanálise retomou e construiu novos paradigmas para a técnica. Para tanto, o conceito de Contratransferência começou a ocupar mais espaço nas discussões teóricas e na própria prática, trazendo o terapeuta como uma parte importante e ativa no tratamento. Dessa forma, uma definição para esse fenômeno pode ser como sendo o “conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e, mais particularmente, à transferência deste” (Laplanche e Pontalis, 1998, p. 102).

Nos últimos anos percebe-se um aumento nos estudos centrados na pessoa do terapeuta, bem como a sua relação com o paciente. Embora para Sandler et al (1976, p.55) o termo “contratransferência” venha sendo usado, de certa forma, excessivamente generalista, caracterizando esse processo como sendo a totalidade dos sentimentos e das atitudes do terapeuta em relação ao seu paciente, contudo, segundo o autor, essa definição se encontra longe da original descrita por Freud em 1910.

Mais atualmente, o fenômeno contratransferencial é entendido como sendo a constante interação que ocorre entre analista e paciente, a qual…

[…] implica em um processo de recíproca introjeção das identificações projetivas do outro. Quando isso ocorre, mais especificamente na pessoa do analista, pode mobilizar nele, durante a sessão, uma resposta emocional – surda ou manifesta – sob a forma de um conjunto de sentimentos, afetos, associações, fantasias, evocações, lapsos, imagens, sonhos, sensações corporais, etc.[…]

Dizendo com outras palavras, o fenômeno contratransferencial resulta das identificações projetivas oriundas do analisando, as quais    provocam no analista um estado de contra-identificação projetiva[…] (Zimerman, 2004, p. 144).

Segundo Zaslavsky e Santos (2005, p.295) embora existam diferenças entre as diversas escolas de psicanálise existe entre elas um ponto de convergência em relação a utilidade da contratransferência, vista então, como um elemento técnico para a compreensão do paciente. Este reconhecimento de que o paciente tentará fazer do seu analista (termo utilizado pelos autores) objeto de transferência é inegável, assim como a contratransferência será uma criação conjunta de contribuições do analista e do paciente.

O que ocorre em um setting, entre paciente e terapeuta, é um dueto e não um solo, desta forma, existe um efeito de nossas respostas contratransferenciais sobre os pacientes em virtude de que se recebemos sinais, também os transmitimos. A contratransferência pode ser entendida tanto como consciente como inconsciente, embora em ambos os casos ela não tenha sido processada, isto é, a contratransferência precisaria ser trabalhada quase que da mesma forma que a transferência do próprio paciente (Alvarez, 2001).

Sendo assim. a contratransferência inclui “todo sentimento que o terapeuta possa ter em relação ao paciente em qualquer momento. Isso pode incluir sua própria transferência não analisada ao paciente, ou um deslocamento do exterior para o paciente, mas também incluiria sentimentos depositados nele pelo paciente.” (ALVAREZ, 2001, P.127). Enfim, seja o sentimento que for ou aparecer durante o tratamento de um paciente, devemos estar atentos não somente para a origem desses, mas também para onde eles levarão o terapeuta e, por conseqüência, a dupla.

Sobre a Geração Felicidade (Diário de Santa Maria)

21/08/2010 | N° 2586

REPORTAGEM

Geração Felicidade

Calças, camisetas, óculos e tênis coloridos. O happy rock faz o visual e a cabeça dos fãs do estilo

Basta dar uma volta nos locais mais frequentados pelos adolescentes para perceber que uma nova onda – colorida, feliz – acompanha a galera teen. Nos colégios, no Calçadão e nos shoppings da cidade, onde há uma calça verde-limão, há outra rosa-choque. Os integrantes da nova tribo atendem pelo nome de “coloridos”. Nada mais legítimo, porque as cores nem um pouco discretas não se restringem somente a uma peça do look. Elas também estão em camisetas, tênis, óculos e outros acessórios. Tanta criatividade para deixar o visual divertido deve ter uma inspiração nacional, não é mesmo? Uma não, várias. A principal se chama Restart.

Por essa banda, formada pelos jovens inspiradores Pe Lu, Pe Lanza, Thomas e Koba, fãs se reuniram na Praça Saldanha Marinho, no início deste mês, e organizaram o movimento Queremos Restart em Santa Maria. As quase mil assinaturas que foram recolhidas no abaixo-assinado serão enviadas ao empresário do grupo paulista. Em agosto, também foi realizada a primeira edição de Crazy Colors Fest, na qual tocaram os meninos da Dinks – banda santa-mariense que entrou na onda das cores.

– Se a Restart vier para cá, vamos enlouquecer! – sentencia Dévana de Souza Moura, 13 anos, ao pensar na possibilidade de o fenômeno colorido aterrissar por aqui.

– Dependemos apenas de as pessoas da cidade pedirem muito para os produtores de show. Não sabia do abaixo-assinado, mas fiquei muito feliz! Tenho certeza que, em breve, devemos aparecer por aí – comenta, por e-mail, Pe Lu.

A Restart disseminou a onda feliz na qual já estavam surfando outros grupos, como Hori, do cantor e ator Fiuk – outro ídolo da galera. Aliás, a novela Malhação ID, na qual Fiuk vivia o jovem Bernardo – ajudou a colorir a vida dos adolescentes. O sucesso do cantor foi tão grande que ele já está à frente do quadro Jogo da Verdade, do programa Fantástico. Nele, Fiuk comanda uma brincadeira de perguntas e respostas entre cinco jovens, de 15 a 19 anos.

Em busca de uma identidade diferente

O fato é que a turma dos coloridos parece deixar para trás a tribo dos emocores – emotional hardcore –, conhecida por usar roupas pretas e aparentar certa tristeza. Apesar de a música ter basicamente o mesmo som, com guitarras velozes e refrões-chicletes, em um ponto essas tribos são opostas: no sentimento. O estilo que acompanha os coloridos, criado pelos próprios meninos da banda Restart, é o happy rock. Feliz, como o próprio nome já diz.

– O adolescente gosta de buscar um contraponto. Possivelmente, daqui a algum tempo, vai surgir outro grupo para contrapor o dos coloridos. Adolescência é o período de reorganização da identidade – diz a psicóloga Bibiana Godoi Malgarim, 29 anos, especialista em crianças e adolescentes.

Na busca inconstante pela identidade, muitos adolescentes migraram da tribo dos emos para o grupo dos coloridos. Outros, no entanto, quando começaram a fazer as suas próprias escolhas, já estavam em plena “geração felicidade”. Isso mostra que grupos como NX Zero e Fresno podem até ser considerados “tios” da galera colorida.

Para os seus fãs, Pe Lu, Pe Lanza, Thomas e Koba criaram a família Restart. Os coloridos também são conhecidos por usar o símbolo S2 e por unir as mãos em formato de coração.

– A formação de grupos é supernatural. É o movimento para criar uma identidade diferenciada – diz Bibiana.

Natural e contagiante. Assim como a nova geração felicidade.

silvia.medeiros@diariosm.com.br

SÍLVIA MEDEIROS

(FONTE: Jornal Diário de Santa Maria.http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/dsm/capa,14,225,0,1365,Capa.html)

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