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O que captura não tem nome (Devaneio das palavras)

By abril 28, 2019Psicologia

Quando saiu de casa logo pela manhã estava decidido: não voltaria nunca mais aquele lugar.

Tudo que lhe vinha a mente referente a sua casa lhe repugnava: o cheiro úmido dos cômodos; a luz sempre opaca demais para seu gosto; os ruídos das portas e das panelas. Sem falar de Cora: com seus olhos subitamente mortos, mãos frias e andar arrastado.

Não voltaria.

Demorara tempo demais para conseguir sair e finalmente sentir o ar circular por seu corpo; olhava para suas mãos enquanto caminhava apressado até o carro: estou velho!

Nem as mãos, nem o rosto, nem seu raciocínio eram mais os mesmos. Só o que conseguia se questionar com relativa clareza era: onde estive esses anos todos?

Abobalhado consigo, olhou no retrovisor e sem consciência percebeu os olhos mortos de Cora no espelho como a olhar para dentro dele.

Voltaria.

Texto escrito em 2010 e retomado hoje, 28 de abril de 2019.
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Bibiana Malgarim
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