Falemos com franqueza?
Você não quer saber da Franqueza. Não quer mesmo. E o mais interessante disso tudo é que quando “escuta” isso, ofende-se!
Franqueza é desastrosa. É um ideal dos sonhadores, utópicos, ingênuos, de alguns.
Franqueza é bruta. É sempre mais desorganizadora que se imagina, mais intensa do que se estava esperando, e em geral, não conserva em si a capacidade de “manter um bom clima” entre quem troca franquezas entre si.
Franqueza dói. Na maior parte das vezes, você é jogado para dentro dela, ou ainda, ela é jogada na sua cara, como um tapa mesmo. Ainda que muito bem educado, e quase não parecendo, é um tapa, acredite.
Franqueza congela. Ela pode deixar o tempo parado na expressão das suas palavras, na intensidade da voz, na expressão dos olhos. Ela não quer saber se você estava “aquecido” para tal maratona, ela arromba e: congela.
Franqueza é uma hóspede mal quista, embora, politicamente é adequadíssimo todos, em uníssimo, afirmarmos que sem ela não vivemos. E de fato, paradoxalmente não vivemos. A franqueza hoje é quase um tiro que recebemos a esmo.
Por vezes, nos jogamos na frente do atirador, de propósito, pois ainda que a franqueza conserve em si tantos aparentes adjetivos negativos, ela é poderosa, e hoje, ela movimenta. Muitas e muitas vezes, não a queremos, fugimos do tiroteio, só que somos cegos no escuro fugindo desses tiros. Na verdade, ou na superfície, não queremos saber sobre o que dói, sobre o que é feio ou sobre o que desassossega. Não queremos saber se somos mal, ou se o que dizemos, de fato, machuca os outros, ou se nossos olhares são cruéis demais.
A franqueza, é uma senhora, é perspicaz e experiente, e ainda sim, audaz como só um jovem consegue ser. Ela não quer ser poupada, e não poupa ninguém, e por sua vez não espera que após entre no salão o “clima” seja o mesmo, e não deve continuar o mesmo, de fato. Franqueza é o amargo necessário – e não será nunca doce, não se iluda – cuja medida nunca se acerta, embora se passe muito tempo tentando.