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Psicologia

Não brinca! Os pais mentem para seus filhos?

A Revista Super Interessante (Dezembro de 2012) novamente aparece com uma capa interessante para discutirmos aqui: “As mentiras que os pais contam para os filhos” e são muitas! A maioria delas vocês como filho já ouviu, e como pai ou mãe, vocês já contou. Seguem algumas delas: amo todos meus filhos da mesma maneira, você deve amar seu irmão, aqui em casa podemos conversar sobre qualquer assunto, estudar é mais importante do que os amigos, seu desenho ficou lindo… e por aí vai. Como disse, se você não ouviu, já aplicou uma dessas!

Uma das então mentiras contadas pelos pais que me chama a atenção é a referida na página 18, “Engole o choro. No futuro, vai me agradecer.”, a famosa chinelada e castigos físicos. Em um artigo anterior do blog, cujo título era Terapia das Havaianas – quando as palavras falham, as ações surgem (http://conversadegentemiuda.wordpress.com/2011/07/22/terapia-das-havaianas-quando-as-palavras-falham-as-acoes-surgem-2/ ) discuti sobre o tema porque, em geral, é algo que cria muita polêmica, ainda mais em uma cultura que ainda incentiva e entende que a punição física é uma alternativa adequada para resolução de problemas – e não falo somente das crianças, refiro-me inclusive a situações de violência contra mulher, por exemplo.

 

Quando a regra ou a lei não está internalizada, ou seja, a normativa não faz parte do sujeito, na ausência do estímulo concreto – os pais, por exemplo – a criança tende a transgredir e agir como deseja. Isso, futuramente, será visível no comportamento do adulto que, onde não localiza uma referência concreta da lei – um policial, um controlador de velocidade (pardal), etc. – não cumprirá com a regra. E aí? Quem vai dar as chineladas nesse adulto?

 

Outra mentira interessante é “Em casa falamos sobre tudo.” (pág. 12) e essa, definitivamente sabemos que é mentira. Talvez, menos mentira hoje do que já foi, mas ainda sim, uma mentirinha das boas. Há um tempo tive a oportunidade de conversar com adolescentes do ensino médio, cujo repertório teórico sobre a temática da sexualidade e sexo em geral parecia de uma infinita sabedoria – e prática! Entretanto, quando a conversa ficou realmente mais casual e os deixou a vontade, surge então, a verdade: eles não sabem do que estão falando e o pior, não sabem a quem perguntar! Teoricamente, essas questões – ainda mais nesse período – deveriam ser acolhidas em casa, não é? Não, não é. Ao que tudo indica, e na reportagem referida isso é ratificado, os adolescentes não tem essa abertura toda para conversar em casa, ainda mais quando o “caldo entorna” e a questão pode ser: “Será que estou grávida? Como eu poderia evitar isso?”. É fato, igualmente e também citado na reportagem que, os adolescente querem e demarcam bem esse território da sexualidade como algo de cunho privado, deixando, por vezes, pouca margem para os pais avançarem sobre o assunto. Então, aí, mais uma vez os pais devem retomar as suas memórias e lançar mão de estratégias não invasivas, e de acolhimento – quando o filho entender que precisa desse espaço.

Mentiras a parte, pais, desde que o mundo é mundo elas existem e existem por uma razão – cultural, social, evolucionista, enfim! – a questão é poder pensar sobre elas e como driblar essas mentirinhas que não ajudam nem facilitam de fato a vida do rebento. Nem tudo deve ser dito aos filhos – crianças ou adolescentes – porque nem tudo é da conta deles, mas o que for, pode ser mais verossímil, não pode?

DISCUTINDO OS POSSÍVEIS IMPACTOS DO ABUSO SEXUAL INTRAFAMILIAR NA ESTRUTURAÇÃO DO APARELHO PSÍQUICO INFANTIL (Artigo Publicado)

Em uma parceria muito especial com a colega e amiga Maria Luiza Pacheco, publicamos mais um artigo cujo enfoque é a questão do abuso sexual e suas repercussões na infância. Segue o resumo do material e seu respectivo link (Revista de Psicologia Imed).

(http://seer.imed.edu.br/index.php/revistapsico/article/view/229/193)

RESUMO
O presente artigo tem como objetivo discutir os possíveis impactos do abuso sexual intrafamiliar no psiquismo infantil e, para tanto, foi utilizada como metodologia a revisão de bibliografia. Observa-se que uma violência dessa natureza desorganiza todo o funcionamento familiar, pois denuncia uma falha na organização psicológica e estrutural da família, tendo importantes repercussões no psiquismo infantil. A criança fica impossibilitada de elaborar psiquicamente as excitações despertadas pelo abuso sexual, configurando um trauma que será manifestado através de inúmeros sintomas, os quais são uma ameaça no funcionamento do psiquismo na medida em que defesas psicológicas não conseguem sustentar e nem reprimir o afluxo de excitação proveniente do ato abusivo. Considerando o material levantando, afirma-se que embora os efeitos de tal vivência possam aparecer de diversas formas, com diferentes graus de severidade e em qualquer idade da vítima, o abuso sexual infantil pode ser entendido como um propulsor para o surgimento de psicopatologias graves.

Palavras-chaves: Abuso Sexual Intrafamiliar, Funcionamento Psíquico, Psicanálise.

Quando se tem filhos, todos os dias, são dias úteis

Certo dia ouvi o seguinte comentário: “Quando se tem filhos, todos os dias são dias úteis!”. Essa frase, proferida por um pai em tom de desabafo, referia-se a um contexto no qual esse homem comentava que suas horas de sono diminuíram significativamente, finais de semana a rotina é muito parecida com todos os demais dias da semana e as responsabilidades também são as mesmas, ou seja, nessa relação – assim como em muitas outras, mas especialmente nessa – não dá para dar “dar um tempo” ou o famoso sétimo dia de descanso.

Isso e uma recente reportagem de uma revista conhecida, cuja capa trás o questionamento sobre a compatibilidade de ser feliz e ter filhos, fez-me pensar no quanto, possivelmente, esses homens e mulheres não conseguem apreender mais realisticamente o que é o processo de parentalidade e, com isso, todas as implicações que esse novo papel possui em si.

É recorrente escrevermos e falarmos sobre as dificuldades que as crianças passam em seus contextos familiares, e muito pouco, detemo-nos a refletir sobre as dificuldades dos adultos frente a essa nova função – porque a cada filho, primogênito ou não, novos espaços psíquicos se inauguram. Penso que quando nascem os filhos, nascem os pais, e esse nascer implica em toda uma transformação que acontece concomitante com o desenvolvimento dos seus pequenos rebentos. Nascer como pai e como mãe pode ser uma experiência intensa e complexa e isso começa a se tornar evidente quando as dificuldades que começam a emergir quando testemunhamos esses momentos de desabafo, os quais, muito mascarados e pouco discutidos, podem gerar – e muitas vezes, geram – olhares repreensivos sobre esses pais cansados e a partir desse olhar, culpabilizado por não sentir-se feliz integralmente com a experiência de ser pai ou ser mãe.

Factualmente, cá entre nós, não existem formas de se preparar para a experiência de parentalidade. Entretanto, quando se nasce pai e mãe, viver essa experiência emocional de uma maneira mais plena é possível e dentro disso, pensar abertamente sobre as dificuldades e as limitações afetivas e de disposição é plenamente cabível e saudável, até mesmo porque o ditado “padecer no paraíso” não deve ser mais o suficiente. Esse “paraíso” deve conseguir abarcar o gozo das funções parentais e o tal padecimento deveria ser igualmente integrado à experiência. Ou seja, as características do extremo ao paraíso, o inferno, deveriam poder conviver sem culpa dentro desses pais.

Dessa forma, talvez não devêssemos idealizar o paraíso, nem tampouco fugir do inferno, talvez a medida seja deixar os pés – e os afetos – no meio, em terra, por exemplo.

Poeminha para um sábado de novembro

Minha janela respirava.

Sempre me disseram que as janelas eram os olhos,

mas descobri que elas são os pulmões,

por onde o ar escorrega através dos espaços de persianas, furos e frestas,

E enfim, afoga-se em si.

As janelas não olham,

Elas respiram.

Bufam quando contrariadas,

E abrem-se, enfim, quando deleitadas.

Observação de Bebês e o Processo de Supervisão em Grupo: Alguns apontamentos a partir dessa experiência – Jornada de Psicologia FADERGS

Através da experiência de supervisão de Observação Pais-Bebês com os colegas Felipe Marazita, Clara dos Anjos e Luciane David e com a supervisora Elizabeth Zambrano surgiu esse trabalho, cuja apresentação acontecerá em formato de pôster na Jornada de Psicologia da FADERGS.

MALGARIM, Bibiana G. (Psicóloga, CEAPIA, professora de Psicologia da FADERGS), ANJOS, Clara (Psicóloga e CEAPIA), MARAZITA, Felipe (Psicólogo e CEAPIA), DAVID, Luciane (Psicóloga e CEAPIA), ZAMBRANO, Elizabeth (Psiquiatra, psicanalista e supervisora CEAPIA). Observação de Bebês e o Processo de Supervisão em Grupo: Alguns apontamentos a partir dessa experiência.

O presente trabalho possui como objetivo apresentar a experiência de Observação de Bebês através do relato das supervisões em grupo. A Observação de Bebês, introduzida inicialmente pelo Método Bick, foi modificada no processo de formação do CEAPIA (Centro de Estudo, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência), agregando-se assim a experiência uma entrevista antes do nascimento do bebê e filmagens sistemáticas. Tal processo passa para além da mera observação de desenvolvimento e interação mãe-bebê: auxilia a construção de uma série de predicativos fundamentais para um bom psicoterapeuta em sua prática clínica e para tanto, como um dos pilares dessa prática aponta-se o processo de supervisão em grupo. O grupo de supervisão auxilia como um continente, presta-se a ser um dos aspectos egóicos saudáveis, incluindo a possibilidade de apoio e de propiciar o aumento da capacidade de pensar e internalizar os aspectos observados e sentidos durante a observação de bebês. Como resultado desse processo, entende-se que os profissionais envolvidos com as questões de saúde mental possuam maiores recursos instrumentais para a sua prática clínica.

Palavras-chaves: Observação, Bebê e Supervisão em Grupo.

Qual é a sua história? Entre números, diagnósticos e histórias

Há alguns dias atrás, voltei a escutar uma música cuja letra continha as seguintes frases:

“Números, números, números
O que é, o que são
O que dizem sobre você
Números, números, números
O que é, o que são
O que dizem sobre você

Essa não é a sua vida
Essa não é a sua história
Essa não é a sua vida
Essa não é a sua história” (Papas na Língua).

Essa música acabou fazendo para mim uma associação com um tema que venho pensando e discutindo, o diagnóstico infantil (e todos os processos diagnósticos) na área da psicologia e psicanálise. Em certos momentos, ou a partir de certas demandas, verifica-se o que poderíamos chamar de um verdadeiro fetiche pela classificação diagnóstica, como se ela, por si só pudesse “salvar” ou “subtrair” o sofrimento a que o sujeito em questão está enlaçado. Curiosamente, o que poucos se questionam – ou querem se questionar – é o que esse mesmo sofrimento pode dizer sobre a história desse sujeito e o que, por sua vez, pode significar.

A princípio, parece consenso, que pessoa alguma opta ou quer viver em sofrimento. A princípio, isso poderia ser entendido como uma verdade absoluta. Em certa medida – quantitativa ou qualitativa, como medir? – sofrimento frequente, intenso e contínuo não indica condições de saúde e bem-estar. Contudo, execrar esse processo numa tentativa de pura negação dessa vivência pode trazer – e certamente trará – outros tipos de consequências.

Dessa forma, quando pensamos em atribuir um diagnóstico – e vejam bem, não afirmo em momento algum que o diagnóstico seja desnecessário ou uma prática inadequada, pelo contrário – antes dele, e para chegar até ele quando for o caso, é necessário pensar na história desse sujeito e como ela se construiu, para além da quantidade de vezes que um sintoma aparece ou dos miligramas de medicação prescrita, buscando perceber a dinâmica por trás desses números e encontrando um sentido próprio e único. Essa sim é verdadeira a história de cada um: suas vivências, suas dores, suas satisfações, suas limitações e inclui-se nisso tudo, os sofrimentos de cada um como uma parte que integra, não que se nega.

V Colóquio Winnicott de Porto Alegre: A linguagem em Winnicott

Data: 6 de outubro de 2012
Local: Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Auditório da FABICO
R. Ramiro Barcelos, 2705
Estacionamento: entrada pela Jacinto Gomes (atrás da FABICO)

Conferencistas convidados
André Neves (ilustrador e escritor)
Caroline Vasconcelos Ribeiro (psicóloga, UFBA)
Elsa Oliveira Dias (psicanalista, CWSP)
Tagma Schneider Donelli (psicóloga, UNISINOS)
Zeljko Loparic (filósofo, UNICAMP, PUCPR)

Apoio
Núcleo de Infância e Família do PPG-Psicologia da UFRGS
Grupo de Pesquisa em Filosofia e Práticas Psicoterápicas (GFPP)
do Centro de Lógica (CLE) da Unicamp
Centro Winnicott de São Paulo (CWSP)
Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana (SBPW)
Revista Internacional de Filosofia e Psicanálise Natureza Humana
Revista Internacional de Psicanálise Winnicottiana Winnicott e-Prints

Inscrições gratuitas
Faça sua inscrição on-line indicando seu nome completo, profissão e instituição para winnicottpoa@hotmail.com

Entre 2008 e 2011, numa parceria entre o GFPP do Centro de Lógica da Unicamp e o Núcleo de Infância e Família do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRGS, foram realizados os quatro primeiros Colóquios Winnicott de Porto Alegre, com o objetivo de estabelecer, na universidade, um espaço de discussão e desenvolvimento de pesquisas sobre a teoria e a clínica winnicottiana. O I Colóquio Winnicott teve como tema A teoria do amadurecimento de D. W. Winnicott, o II, A ética do cuidado, o III Colóquio, Solidão essencial e dependência e, no IV, o tema foi Criatividade na vida e na arte.
Em 2012, estamos realizando o V Colóquio Winnicott de Porto Alegre, que terá como tema Linguagem em Winnicott. O pensamento winnicottiano traz uma ampliação retrospectiva da teoria psicanalítica rumo às fases mais primitivas do amadurecimento. Contribui, assim, para a descoberta de novos fenômenos psíquicos, em particular, de formas de linguagem não verbal, que levam a uma transformação da linguagem da psicanálise para dar conta da natureza humana e suas manifestações no tempo. Winnicott impressiona pela capacidade de recriar em palavras o estranho mundo do bebê e da relação mãe-bebê.

Programação

Sábado, 6 de outubro de 2012

9h00: Zeljko Loparic
Linguagens para falar da natureza humana

10h00: Caroline Vasconcelos Ribeiro
Winnicott e a descrição dos fenômenos humanos: uma linguagem não
Objetificante

11h00: Nara Amália Caron, Rita de Cássia Sobreira Lopes, Denise Steibel, Tagma
Schneider Donelli
“Um lugar onde a verbalização perde todo e qualquer sentido”

12h30: Almoço

14h30: Elsa Oliveira Dias
Comunicação verbal, não-verbal e não comunicação

15h30: André Neves
O TOM da narrativa visual

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Bibiana Malgarim
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