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Bibiana Malgarim

E quem falou das férias da/do Psicoterapeuta? 2 pontos a serem considerados

 

Em algumas postagens anteriores falei das férias para os miúdos, para seus pais, para a psicoterapia em si, mas faltou falar das férias para o psicoterapeuta, não é mesmo?

Para todos, incluindo para o profissional, um período de férias é fundamental para descansar e cuidar de si, do seu bem-estar, mudar a rotina. O trabalho de escuta do sofrimento é uma atividade que exige muito emocionalmente, e por vezes, fisicamente (quem trabalha com crianças sabe do que estou falando!). Logo, um período de afastamento é fundamental porque entra na lógica dos cuidados com a sua própria saúde – assim como o tratamento pessoal do psicoterapeuta.

Para quem trabalha na clínica, esse período tem um desafio extra: como autônomo é preciso pensar e organizar a manutenção dos gastos que essa época exige. Por quê? Porque você em férias, não há entrada de dinheiro obviamente, e o mais básico, como a conta de luz, precisa ser quitada. Então, as férias para os profissionais autônomos, clínicos, começa bem antes. Em verdade, começa no início do ano, quando você já deverá considerar o período de sua saída. Parece meio óbvio ou bobo agora que você está lendo isso? Provavelmente, não é? Mas, na prática é um pouco mais difícil de lembrarmos desse ponto e considerar ele.

Indo direto ao ponto: Colega, o período de férias é fundamental e, também, precisa ser considerado o ano todo. Dessa maneira, quando você for pensar sobre o valor da sua sessão, quanto custa o investimento que o paciente fará no tratamento dele, além das contas mensais, o período de férias deverá ser computado para que você possa tirar os merecidos e necessários dias de descanso.

Como disse anteriormente, isso é um cuidado que deve ser feito consigo mesmo!

 

Rede de Apoio aos Pais nas FÉRIAS dos e das miúdos/as

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As férias das crianças são um momento muito esperado por elas e pelos pais, mas em sentidos diferentes, provavelmente. Ao mesmo tempo em que vocês podem compartilhar mais momentos junto ao seu miúdo ou miúda, eles estão com muito mais tempo livre e com isso, demandas aumentam para os pais. O que fazer com os pequenos todos os dias das férias? Quais atividades? Muitas vezes, as férias escolares se tornam um desafio para os pais, os quais ainda não estão em férias e precisam pensar em alternativas para os seus filhos.

Quais as redes de apoio com as quais os pais contam?

Em cidades maiores, cujas organizações cotidianas são marcadas por distâncias grandes, tempos em trânsito e nas quais, muitas vezes, os familiares mais íntimos não moram na mesma cidade, as redes de apoio se tornam bastante reduzidas. Isso, durante todo o ano, pode ser um pouco solitário para os pais, e nas férias, ainda mais porque seu pequeno dispõe de mais tempo para a convivência. E os pais querem estar juntos, mas na prática, não dão conta – e não dar conta porque a vida é assim (trabalho, vida pessoal, filhos, lazer, estudo, etc..), não é feio, não é um problema! É humano.

Cuidar de crianças exige apoio. Exige uma turma grande em torno. Sempre foi assim, e talvez siga assim por muito tempo.

Então, para aqueles pais que estão com uma rede de familiares reduzida, existe alternativa?

Uma ideia que pode ajudar é promover uma Rede de Apoio ENTRE Pais. O que isso quer dizer? De maneira prática, você já deve ter um (ou vários!) grupo de WhatsApp de pais, com eles – ou alguns deles – você pode fazer uma agenda de pais que cuidam dos pequenos por uma tarde, por exemplo. Ou, ficam responsáveis por levarem a turminha num parque ou cinema. Revezando e tornando as férias dos pequenos bem interessantes e nada solitárias (para nenhum dos lados)!

Boas férias!

Segue no insta: @bibiana.psico

“O QUE PRECISO SABER” #4: DIVÃ Orientação aos jovens psicoterapeutas

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Ter ou não ter divã?

O divã é um sofá, uma poltrona, algo confortável para sentar-se ou deitar-se. O divã começa a ser usado inicialmente por Sigmund Freud em seus atendimentos porque ele entendia que era extremamente cansativo ficar muitas horas do dia de frente aos pacientes. Assim, o divã passa a ser usado e com isso, passa a ter outro sentido na medida em que a técnica psicanalítica evoluiu: tecnicamente o divã passa a ser relevante. Mas, por qual razão?

Quando um paciente vai ao divã é como se ocorresse um convite a deixar-se levar pela regra da associação livre (vamos conversar sobre isso em outro momento!), ou seja, o fato de não estar diante do olhar de um outro e colocar-se numa posição muito mais relaxada, faz com que a fala possa fluir muito mais livremente e assim, aprofundar as sessões e o tratamento fica mais complexo.

Mas, se eu não quiser ter divã? Não é um item obrigatório! O divã é tipicamente utilizado por psicanalistas, embora uma análise não dependa do divã. Pensando do ponto de vista da Psicologia, outras linhas teóricas para além da psicanálise vão utilizar outros móveis, ou seja, uma boa e confortável poltrona pode dar conta de acomodar adequadamente o paciente fazendo com que ele se sinta confortável.

Análise pode ser feita sem o divã, mas que ele ajuda, ajuda muito!

Rotina é Fundamental!

WhatsApp Image 2019-11-11 at 09.18.29É normal reclamarmos da rotina,  mas quando se trata de crianças ( principalmente de 0 a 11 anos ) , rotina é fundamental!!Tem que ter rotina!
A vida tem que ser previsível para que ela mesma, aos poucos, crie as novidades necessárias para surpreende-la.
Crianças gostam de ritmo, e qual o primeiro ritmo que elas registram? O batimento cardíaco da mãe. O som compassado que as faz prever e relaxar. Isso significa que desde a barriga, a rotina já está  presente.
Essa noção de previsibilidade da vida faz com que a criança se torne confiante e consiga entender o mundo em seu entorno, com isso, tem disponibilidade para dirigir sua atenção para aprendizados necessários para seu desenvolvimento. É organizador de todos os pontos de vista: psíquico, cognitivo, social e físico ( como o sono, por exemplo ).
Mudanças drásticas ou repentinas podem gerar confusão, ainda mais se a criança é pequena: trocas de escolas frequentes, rotinas muito distintas na casa do pai e da mãe, promessas que não são cumpridas,etc.
Esses são alguns exemplos do que pode gerar confusão para um miúdo ou miúda e assim, dificultar seu desenvolvimento. Lembrando que cada criança, cada família e cada caso é único. Por isso deve ser analisado individualmente.

Ritmo, rotina, mesmice: as crianças merecem esse cuidado!!

“O QUE PRECISO SABER” #3: SUPERVISÃO Orientações aos Jovens Psicoterapeutas

Design sem nomeMesmo que você saia da graduação muito seguro dos conteúdos que estudou, há algo que somente o tempo irá lhe garantir: experiência. E no nosso campo, a área psi, cada paciente é um universo novo, ou seja, o que quero dizer é que não é possível, mesmo com anos de prática, que chegaremos num ponto em que a formação estará finalmente encerrada. Dessa forma, o processo de SUPERVISÃO é um aliado fundamental tanto para quem inicia sua carreira, quanto para aquele que segue nela.

 

Mas, por qual razão supervisionar é tão importante?

Comecemos do início: o que é supervisão na área da psicologia? O processo de supervisão começa ainda na graduação como algo obrigatório para a realização dos estágios e depois seguirá de acordo com as especializações ou formações que o profissional seguir. De qualquer forma, a supervisão funciona como um espaço no qual um psicólogo ou psicanalista mais experiente – tanto do ponto de vista da prática, da teoria e do seu próprio tratamento – auxilia o profissional em formação a compreender o que se passa no setting com o seu paciente.

Questões técnicas e teóricas são discutidas com a finalidade de aperfeiçoamento e uma compreensão mais profunda e completa do caso ao qual se dedica. Lembro desde já que, todos os profissionais, o supervisor e o supervisionando, estão comprometidos eticamente com o sigilo. Logo, não há possibilidade de que o conteúdo visto em supervisão saia dali (NÃO DEVERÁ SAIR!)

Supervisionar é a possibilidade de transmissão de um ofício, uma prática de escuta, uma forma de cuidar. Ser psicoterapeuta ou psicanalista é muito mais que decorar textos ou artigos, irá convocar você a se transformar e a revisitar o que antes era certeza.

 

E justamente isso faz toda diferença na nossa profissão: ela se faz através da experiência que é vivida no setting com o paciente, no seu próprio tratamento e na supervisão.

“O QUE PRECISO SABER” #2: SOBRE O SETTING TERAPÊUTICO Orientações aos jovens psicoterapeutas

Design sem nomeHoje quero falar sobre o setting terapêutico.

Você sabe o que é um setting?

Há quem entenda que setting é um ambiente físico, no qual encontraremos alguns móveis e temos alguns cuidados, como a questão do cuidado acústico. Setting é isso TAMBÉM. Mas, não somente. Setting é TODO um AMBIENTE que abrange a parte física e a parte EMOCIONAL também – uma complementa a outra. Esse ambiente único criará as condições ideais para o paciente trazer seus conteúdos, dificuldades e expor-se de maneira profunda e com confiança.

O setting não tem um padrão, podemos perceber os mais diferentes estilos e não há certo ou errado. Há alguns cuidados que são comuns entre os psicoterapeutas e psicanalistas, tais como:

#1 Disponibilidade de escuta: o profissional está genuinamente interessado no que o paciente está lhe trazendo, e para tanto, há espaço na sua mente para acolher esses conteúdos, uma vez que seu próprio tratamento está em andamento (ou finalizado, em algumas situações);

 

# 2 Ambiente físico: o consultório deverá ser um convite por si só ao paciente, isto é, deve haver um local confortável para que o paciente possa se sentar ou deitar (no caso do uso do divã); um cuidado com a temperatura e luz do local; e um cuidado com o som. Nesse último item, é imprescindível que quem está fora da sala, na sala de espera, por exemplo, não escute o que está acontecendo dentro da sala de atendimento.

 

# 3 Haver um contrato de que dê o contorno desse setting: por contrato se entende algumas combinações básicas para que o tratamento ocorra. Usualmente, essas combinações abrangem horário, dias, valores das sessões, se serão cobradas sessões nas quais o paciente não comparece, férias, dentre outros pontos. Tradicionalmente, o contrato é verbal, não há um documento físico assinado. Entretanto, isso tem mudado em alguns contextos, como o de avaliação psicológica, por exemplo, contudo dependerá da escolha do profissional em questão.

 

Ajudou?

Mais dicas nos próximos posts!

“O QUE PRECISO SABER” #1: COMO INICIAR OS ATENDIMENTOS INFANTIS? Orientações aos jovens psicoterapeutas

“O que preciso saber” #1Quem está começando na área da psicologia, formado recentemente ou mudando de área, certamente se depara com várias dúvidas, absolutamente esperadas, uma vez que essa prática é uma novidade. Quando terminamos o curso de graduação temos uma falsa impressão de que devíamos “saber tudo” ou que nossa dúvida não é válida, uma vez que em algum momento do curso foi lido ou estudado algo a respeito. Isso não é verdade.

 

O conteúdo visto durante os 10 semestres do curso de Psicologia são muito amplos, variados tanto teoricamente quanto em termos técnicos, e a grande parte deles não ganha a profundidade que merece, pela questão do tempo que se organiza tipicamente a cada disciplina. Então, é mais que esperado que se busque auxílio nesse início de prática clínica.

Essa breve série  “O QUE PRECISO SABER”: ORIENTAÇÕES GERAIS AOS JOVENS PSICOTERAPEUTAS tem o objetivo de indicar alguns caminhos, elucidar algumas dúvidas e trocar algumas experiências, as quais podem ser úteis para você. Não é um guia, nem mesmo um modelo o qual deverá ser seguido, ao contrário, é uma conversa sobre o que penso e fiz até hoje e que pode ser interessar e inspirar o seu trabalho.

 

“O que preciso saber” #1 foca no início da prática de psicoterapeutas que irão trabalhar com o público infantil. Como iniciar os atendimentos infantis?

#1 O primeiro passo, e isso vale para quem pretende atender a qualquer faixa etária, é cuidar do seu próprio tratamento: Não esqueça que nosso “instrumento” de trabalho é nossa mente, somos nós mesmos, logo, nossa escuta melhora na medida que fomos bem escutados também.

 

#2 Gostar de brincar: ter gosto por brincadeiras, brincar e demais atividades lúdicas vai possibilitar criar um setting acolhedor aos miúdos e miúdas. Se não houver esse gosto genuíno, tratamento infantil não é a sua área.

 

#3 Os pais fazem parte do tratamento: Atender crianças necessariamente envolve atender os pais – por atender os pais, quero dizer ter sessões com os mesmos com a finalidade de acompanhar a relação dos mesmos com o paciente, dificuldades, dúvidas e ajudá-los a pensar sobre eles mesmos no papel parental. Não dá para esquecer: o paciente é a criança!

 

#4 Sigilo: Começo pelo fim da Dica #3 “O paciente é a criança”, logo, tudo o que a criança trouxer no ambiente da psicoterapia (considerando o contrato de trabalho*) deverá ficar preservado no setting. Isso vale para o que for dito verbalmente, ou expresso de outras maneiras, como através da brincadeira ou desenho. Cuidar do conteúdo trazido pelo paciente, independente da sua idade, significa respeito ao paciente.

 

Gostou? Conta aí o que achou sobre essas informações!

Em breve mais postagens!

 

* Discutiremos a questão do Contrato em outro post.

“O que você precisa saber: Ao Resgate”

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Por mais que tenhamos estudado e nos dedicado nos anos da graduação, quando nos formamos muitas são as dúvidas em relação à prática clínica.

Entre a teoria e a prática, de fato, há um grande caminho a se percorrer. Mas, ele não é tão solitário. Não precisa ser.

 

A prática clínica é um desafio e na medida em que vamos avançando nela, mais dúvidas surgem. Do básico à dilemas éticos, isso vai acontecer conosco.

Pensando nisso, a partir dessa semana (15 de Outubro) irei escrever alguns textos curtos e diretos sobre algumas dúvidas frequentes, seja para quem se formou em psicologia a pouco, seja para aquele colega que decidiu mais recentemente mudar de área de atuação e está se voltando para a clínica.

Chamei de “O que você precisa saber: Ao Resgate”: o que se resgata? O que já se sabe, o que não é lembrado, a sensação de que há com quem contar, que há outros na mesma situação… resgata-se a certeza de que há muito o que aprender e está tudo bem com isso!

Os textos  estarão na íntegra aqui no BLOG Conversa de Gente Miúda (wordpress.com).

E não deixe de dar sua opinião nos comentários ou pelo e-mail (bmalgarim@yahoo.com.br).

Porquê estudar Winnicott

Donald Winnicott foi um pediatra inglês profundamente envolvido e afetado pelo atendimento de crianças e de seus pais. Foi em 1927 que começa sua formação analítica e em 1935 habilita-se como analista infantil. Nas palavras de Claire, sua esposa, Winnicott se esforçava para tornar a consulta significativa para a criança, brincava e vivia “armado” de papel para fazer aviões e desenhar.

Mas, ao contrário do que pode se pensar precipitadamente, a teoria proposta por Winnicott não é exclusividade do tratamento de crianças e adolescentes: há um infantil mal-acolhido (não integrado, desintegrado, falseado) em todos e é nesse ponto que, em geral, reside a dificuldade dos adultos. E justamente, esse é o primeiro ponto que torna o estudo desse psicanalista indispensável (citarei somente 3 nesse texto): uma técnica que olha para o sujeito dentro de suas potencialidades, para sua idade emocional.

Um segundo ponto no quesito por qual razão estudar Winnicott, ainda é a técnica. Entretanto aqui, refiro-me ao tratamento de sujeitos que não são tipicamente neuróticos como os estudados por Sigmund Freud. Em uma obra linda, sensível e robusta teoricamente, podemos entender exatamente o que isso significa na prática clínica cotidiana, é ela: Moura, Luiza. Ferenczi e Winnicott: Análise de adultos na língua da infância. Terra de Areia (RS): Triângulo Graf.Ed., 2018.

No livro referido acima, Luiza Moura faz um percorrido entre os dois autores que ilustram o título, tecendo uma interlocução rica e que instrumentaliza tecnicamente a escuta na clínica de adultos. Particularmente, chamo a atenção para o capítulo 4, Inovações técnicas e atitude profissional (p.95).

Um terceiro ponto é consenso, ousaria dizer: Winnicott era um analista do cotidiano. Ele se importava verdadeiramente em ser compreendido pelas pessoas que estavam ao seu entorno, fossem eles analistas do seu círculo, fossem pais humildes atendidos em um hospital. Sua linguagem era feita para se comunicar. E isso faz toda diferença quando o estudamos. Não confunda essa afirmativa com pouca complexidade ou dificuldade, é um aviso que devo registrar. As ideias que o autor aqui em questão apresenta requerem bastante estudo e tempo para processamento interno delas.

Winnicott é um autor dos dias atuais: a escuta viva é requisito fundamental para o trabalho com pessoas e se houve alguém que entendeu isso e foi capaz de transmitir essa postura para as próximas gerações de psicólogos, psicanalistas e demais estudiosos, foi Donald.

Se ficou com alguma dúvida ou interesse, entre em contato pelo meu e-mail. Será uma satisfação indicar alguma leitura sobre o autor.

 

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