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Bibiana Malgarim

Uma palavra (necessária) de adeus

Para dizer adeus não é necessário usar muitas palavras, nem fazer muitos gestos, tão quanto empregar muitas lágrimas. A despedida por si só já se coloca como uma síntese de tudo isso: a síntese dos gestos, das ações, das palavras e das lágrimas.

O que parece mais inquietante, no entanto, não é o que não foi dito nesse momento de despedida, mas o que se disse. O antes do “adeus” já fora construído de palavras e gestos lançados ou como abraços para enganchar e aproximar, ou como farpas para ferir e maltratar. Não importa mais, abraços ou farpas, tudo foi feito na construção de uma história permeada por afetos espantosamente diversos .

Na hora do “adeus”, tudo se encerra e palavras serão (mais) úteis somente depois, porque na hora do adeus, tanto já se fez que tudo o mais se torna redundante. Ou seja, parece-me que a despedida – pelo menos em sua grande maioria das vezes – é feita de minimalismos: paradoxalmente nada vazios, nada silenciosos, nada rasos, nada simples e fáceis.

Semana Acadêmica UNISINOS e Psicologia

Dia 07 de Novembro (2014) estarei em uma mesa redonda na Semana Acadêmica da UNISINOS dos cursos de Saúde na sede Porto Alegre. Nesse momento, em diálogo com uma nutricionista e um pediatra, poderemos discutir algumas ideias sobre questões alimentares na infância e suas implicações para o desenvolvimento infantil.

Afinal, comer também é um ato de afeto.

Como dica de documentário sobre o assunto infância e questões alimentares indico o “Muito Além do Peso”, cuja referência já constava no Blog desde o ano passado! Segue o link:

Dica de vídeo: Muito Além do Peso

Vale a pena conferir!

Cobrança de Honorários na Prática do Psicólogo: Aprendizado durante a graduação

Um tema que é tabu – ainda!! – na formação dos psicólogos é a cobrança de honorários pelo seu trabalho. Embora Freud (1913/1912) já falasse sobre o assunto, assinalando sua relevância para a relação e para o tratamento, a questão não é tão simples ainda nos nossos tempos. Falar de dinheiro tornou-se um assunto tão repleto de melindres e rubores, que preferiu-se deixar para um outro momento, o qual, não chegará.

Em período de estágio, Ana Lúcia Martins, a primeira estagiária do Serviço de Psicologia da FADERGS e minha primeira supervisionanda no local entende que seria apropriado tocar no assunto e juntas nos propusemos a tal tarefa, discutindo em supervisão, realizando seminários e escrevendo sobre o tema. Essa empreitada hoje aparece através de um artigo publicado, cujo título é “Aprendizagem de cobrança de honorários durante o estágio em psicologia nas clínicas escola”.

Mais um passo foi dado no sentido de apontar espaços de discussão e construção sobre o tema. Certamente temos muito o que conversar sobre o tema. Certamente há muitas questões a serem abordadas, sem falar da necessidade de preparação dos nosso futuros colegas no quesito “vida real, que inclui pagar contas todo o mês”.

Parabéns, Ana!

Confiram o material no link!

Mineiro de nós mesmos: As paredes nossas de cada dia

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Quantos muros erguemos em torno de nós mesmo sem ao menos notar?

E quantos outros erguemos propositadamente? Erguemos muros em torno para protegermos dos outros, das dores, de nós mesmos, do inevitável que são os acontecimentos que a vida e todas as interrupções que podem se apresentar.

Os muros erguidos, aos poucos se incorporam se tornando uma espécie de pele protetora, mas com que tijolos se constroem esses muros todos? O material desses muros, por vezes, pode ser mais traiçoeiro que esse suposto esconderijo forjado por cada um de nós.

As pessoas vão catando ali e aqui seus tijolos e aos poucos o som do que ecoa em volta pode chegar tão distorcido e parecer vir de tão longe que já não se consegue apreender o que é uma nova experiência. Não se entende mais o que acontece em volta: o muro ficou duro demais, alto demais, espeço demais.

O brutal é que muitas e muitas vezes, realmente não percebemos quão rápido estamos erguendo esses muros e vamos colando essas camadas que nos distanciam tanto de tudo e de todos. Os tijolos os quais podemos chamar apressadamente de indiferença, de intolerância, de desamparo tornam-se tão amalgamados que, quando tudo isso desmoronar, não fazemos ideia do que veremos: uma onda de calor? Uma desproporcional reação? Dor? Nada?

O que ficou por baixo de tudo isso?

Teremos que ser mineiros de nós mesmos em algum momento. Avante e para dentro, pessoal!

Grupo de Estudos sobre Técnica Psicanalítica Infantil

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A partir de Setembro começaremos um ciclo de estudos psicanalíticos no formato de Grupo de Estudos. A ideia é abrir espaço para discussão,  construção e revisão de conceitos importantes da teoria e prática psicanalítica.

Ressalto, o grupo de Técnica Psicanalítica de Crianças, o qual será coordenado por mim, nas segunda-feiras, as 13 horas.

Serão 10 encontros, de 1 hora de duração, começando dia 15/09.

O cronograma previsto para o grupo abarca desde questões históricas da psicoterapia psicanalítica infantil, prática clínica e casos.

O grupo tem como público-alvo estudantes de psicologia.

Confiram!

Onde está esse “melhor lugar”, se não é um lugar?

Inspirada pelos guardanapos – incríveis!! – do artista da séria “Eu me chamo Antônio” no qual diz – e desenha – dedico-me a escrever hoje um pouquinho sobre a frase “O melhor lugar do mundo nunca foi um lugar” (disponível na página do Facebook do autor e do Blog Conversa de Gente Miúda).

Quando o li imediatamente fui remetida a sensação do meu “lugar preferido” e ainda que um ou dois, no máximo, lugares surgissem na minha mente como esse lugar preferido, tal como um refúgio mesmo, entendi para o que o artista nos chama atenção: esse lugar, não é o lugar em si, mas toda a representação de um lugar preferido, o melhor, dentro de nós e colocamos onde estamos.

Isso vale para nossas casas, nossos refúgios, nossas vidas. Não se trata do local, mas do que construímos no decorrer da vida como “o lugar” e então, delicadamente vamos remontando nos ambientes que habitamos mais do que com nossos corpos, mas como nossas almas.

Esses lugares, melhores ainda em determinados momentos, remetem-nos a um estado de acolhimento de si mesmo – principalmente, quando somos já adultos – no qual, sermos o que somos é o mínimo, é simples, é aceitável na sua totalidade. Esse lugar, não é composto de concreto, nem de madeira, quiçá de qualquer outro material, é construído de nós mesmos – e de nossas experiências.

Por isso, o melhor lugar, não é um lugar, nem nunca será. O melhor lugar está – deveria estar, ao menos – dentro de nós, logo, acompanha-nos.

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Nossas crianças loucas: como isso é possível nos dias de hoje?

Diante do artigo “Como se fabricam crianças loucas”não consegui resistir ao apelo do título e mais, ao drama do seu conteúdo. Lendo-o senti o coração apertando na exata medida em que tentava – sim, só tentava porque não é possível conseguir de fato – imaginar o que foi vivido pelas crianças citadas no artigo e na dissertação que o originou: marcas indeléveis de sofrimento que acabaram por definir a identidade desses sujeitos em potencial.

Abaixo, um trechinho do texto que deve ser lido – nem que seja para nos desacomodar:

Flávia afirma: “As internações são motivadas por uma combinação complexa, que resulta numa situação de vulnerabilidade. A resposta da internação psiquiátrica, além de redutora de complexidade, é ela mesma produtora de maior sofrimento. A internação por ordem judicial revela uma concepção sobre a infância e a adolescência pautadas no medo e no perigo. Propõe uma resposta única a todas as situações, sem considerar diferenças, singularidades e contextos. Reduz crianças e adolescentes ao status de paciente psiquiátrico perigoso, produzindo sua cronificação”. É assim que se fabricam crianças loucas.”

 

Confiram todo o material nos links disponibilizados acima: as histórias de Raquel e José (sujeitos dessa trama infelizmente verídica) hoje se fazem ouvir – ou se fazem ler, no caso – e isso tem que nos ensinar alguma coisa.

Lucian Freud: A obra e a herança

Fiquei profundamente interessada e igualmente feliz – por interesses “pessoais-profissionais” – pelo fato da Reunião de Abertura do Ano Científico da SPPA (Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre) ser sobre o ilustre Lucian Freud. Artista que descende de uma família por si só muito renomada, mas que igualmente deixou uma marca muito especial através da arte.

Confiram as informações completas no site da SPPA: http://site.sppa.org.br/ .

E abaixo, curtam fotos de duas das obras desse artista, ambas no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid:

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A minha, a sua, a nossa rotina!

A rotina é reconfortante.

A rotina, o fazer igual, ter seu dia como qualquer outro é algo bom, esperado, e que na falta dele, você sentirá saudade.

Esses dias com seus eventos cotidianos são o nexo das nossas vidas e quando rompidos nos dão a exata clareza do quanto, na verdade, primamos pelas nossas rotinas. Viver num caminho de dias e noites com eventos que seguem aparentemente controlados pelo nosso desejo oferece a possibilidade de nos sentirmos até mesmo livres e proprietários nas nossas vidas.

Viajar é algo maravilhoso e até mesmo necessário? Concordo plenamente. Entretanto, essa sensação alcançada pelo desprendimento entorpecente de uma viagem só se oferece porque temos um contraponto, ao qual voltaremos e queremos voltar: nossa rotina.

Você está jurando que não se identifica com nada disso, que não tolera a rotina, que sua vida é um jogo louco de improvisos e eventos fortuitos. Engana-se que não goste de rotina: ter a vida louca evitando a todo custo eventos “repetitivos”, torna-se a sua própria rotina: evita-la também é uma rotina.

Um dia que se parece com o outro e no qual você consegue se achar nele, tem cheiro de bolo de bolo feito em casa, tem o aconchego de uma lareira em dia frio, tem aquele olhar da mãe para o filho: complacente com um certo desejo de burlar alguma regrinha – sair da rotina, e ao mesmo tempo terno, de quem sabe que você está confortável sem estar indiferente a sua vida.

Já dizia um sábio estudioso da alma humana: a saúde está ligada ao sentimento de continuidade que teremos em nossa vida! Então, deixemos a rotina seguir seu curso e tratemos de aproveitar essa ilustre conhecida de todos os dias! Você pode não concordar, talvez você não concorde com muitas coisas, não será um estilo rotineiro seu?

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Bibiana Malgarim
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