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adminBibianaMalgarim

Está na Zero Hora de hoje: 44% dos alunos chegam ao 4º ano sem saber ler

A notícia é triste, mas é real: as crianças não estão aprendendo a ler e acabam passando de ano sem ter adquirido essa habilidade.

O que isso pode significar exatamente?

Hoje, para essas crianças, dificuldades e uma série de situações frustrantes, as quais podem transformar a escolarização em um processo desagradável e que causa repulsa.

No futuro, adolescentes e adultos que não conseguem interpretar o que estão lendo e com isso, não apreendem os sentidos dos textos explorados.

Isso é grave.

Isso é fácil de ser visto.

Mas, isso não deveria ser a regra.

Mães Neuróticas, Filhos Nervosos

 

Você já viu o filme de Woody Allen “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”?

 

Pois foi justamente pensando nesse título que pensei no caso das mães e dos seus filhos.

 

Primeiramente, é necessário clarificar que o título de neurótica é utilizado em um sentindo muito mais popular do que é utilizado no meio acadêmico ou científico. Entretanto, cabe também dizer que quando falamos em mães neuróticas, fazemos referência a mães que apresentam muita dificuldade em conectar-se efetivamente com seus bebês e, dessa forma, impõem a eles seu ritmo, suas expectativas e, porque não, suas neuroses, impossibilitando um espaço de espontaneidade e criatividade que poderia emergir dessa relação.

 

Notadamente, mães de primogênitos são claramente mais ansiosas e, com isso, seus bebês parecem responder a esse sentimento demonstrando também sinais de ansiedade, os quais podem ser manifestados de várias maneiras, como dificuldades na hora de ir dormir e durante o sono, com a alimentação, dentre outros.

 

O que podemos generalizar com tranqüilidade é que, as mães têm uma relação estreita com seu bebê e isso, obviamente, não é novidade alguma. Entretanto, isso é válido tanto para coisas boas da relação, como para as que não são muito bem-vindas. A dificuldade para lidar com essas últimas é conseguir perceber isso devido ao grau de aproximação que essa relação demanda. Então, às vezes, buscar certo distanciamento crítico já é suficiente para checar se as coisas vão bem nessa relação tão importante e fundamental do ponto de vista da saúde mental desse bebê.

 

Os filhos, principalmente os bebês, são absolutamente sensíveis ao que suas mães querem deles, desejam ou sentem.

 

É importante ter clareza que não se tratar de um grau de perfeição idealista, de forma alguma isso seria mais apropriado dos que os erros espontâneos e afetivos; trata-se da compreensão profunda da conexão que existe entre o estado afetivo da mãe com o bebê.

 

Psicopatologia Infantil (Curso de Extensão)

Curso de Extensão

Divulgação Curso de Extensão de Psicopatologia Infantil

 

Um curso de extensão acadêmico que visa propiciar um espaço de reflexão sobre alguns quadros de sofrimento infantil, ministrado por Bibiana G. Malgarim, psicóloga especialista em infância.

Não se trata de diagnóstico, nem de buscar um enquadre para essas crianças. Trata-se de estudar, refletir e indicar alguns caminhos no sentido de auxiliar indivíduos que se encontram em sofrimento para que, assim, consigam continuar seu desenvolvimento de maneira saudável e feliz.

O curso será promovido pela ULBRA Santa Maria.

Abuso Sexual Infantil: Um assunto muito sério!

A violência é entendida como o ato extremo no qual há uma expressão intensa de afetos e ações, dirigidos – quase sempre – no sentido destrutivo. O abuso sexual está incluído dentro desse grupo, o grupo das violências possíveis.

Quando falamos em abuso sexual é sempre um tema que mobiliza e estremece as bases da nossa sociedade, contudo quando a questão está centrada na infância o assunto torna-se ainda mais intenso, mais delicado, mais nebuloso.

Uma definição generalista de abuso sexual infantil consiste na utilização de um menor para satisfação dos desejos sexuais de um adulto. Qualquer tipo de aproximação sexual inadequada que aconteça entre menores de diferentes etapas evolutivas e/ou o uso de algum tipo de coerção (física ou emocional), também se considera abuso sexual. Essas práticas geralmente  são impostas às crianças  ou adolescentes, através de violência física, ameaças, ou em alguns casos, induzindo-as ou convencendo-as.

Os tipos de abuso sexual podem ser:

Exibicionismo

Voyeurismo

Telefonemas obscenos

Abuso sexual verbal

Atos físicos-genitais (Estupro)

Pornografia e Prostituição Infantil e Adolescente

Atentado violento ao pudor

Assédio Sexual

Entretanto, a pergunta mais constante me aprece ser: como saber quando uma criança está sofrendo abuso sexual?

A resposta dessa pergunta é muito delicada, pois em geral a denúncia ocorre em virtude de um flagrante ou de sintomas (ou sinais) que se instalam no comportamento infantil. Faz-se necessário ressaltar: nenhum sintoma ou sinal pode falar por si só, ou seja, não pode ser associado diretamente a um quadro específico, como o abuso sexual. É através da integração de dados que conseguiremos entender o que está ocorrendo e, dessa forma dar o encaminhamento adequado.

Amamenta-se até que idade mesmo?

 

Há uma campanha veiculada muito recentemente com uma atriz e seu bebê na qual se afirma que amamentação deve ser estendida até dois anos ou mais da criança.

Será?

As alegações em defesa a essa postura são diversas, cita-se o fato da criança ter aumentada sua imunidade, ter melhorada sua capacidade respiratória, entre vários outros benefícios. Entretanto, psicologicamente como isso se processa? Ouve-se alguma consideração clara e mais profunda sobre as conseqüências psicológicas, boas ou más, desse largo período de amamentação? Seria apropriado?

Creio que a palavra correta nem seria “apropriado”, poderia ser qualquer outra que nos remetesse a pensar sobre os laços vinculares desse bebê e dessa mãe, sobre o apego, a dificuldade de separação, autonomia e independência, enfim, uma série de questões de cunho psicológico que se dão nesse mesmo momento em que os tantos benefícios fisiológicos são defendidos.

Não se trata de minimizar as conseqüências positivas da amamentação para o desenvolvimento físico do bebê, e sim salientar outros pontos que devem ser considerados, pois todos eles são absolutamente importantes para a saúde física e psíquica da criança.

Além disso, ainda caberia salientar algumas questões de ordem prática e da nossa realidade, com a finalidade de acalmar aquelas mães que se encontram angustiadas, visto que não conseguiram ou não conseguirão amamentar seus filhos por mais meses que a licença maternidade lhes permite:

– o bebê precisa muito da mãe nos primeiros meses e anos de vida, sendo que no decorrer do seu desenvolvimento vai gradativamente precisando cada vez menos e isso é saudável; com a amamentação é a mesma coisa, uma criança em condições de explorar o mundo e outros alimentos, pode substituir o peito de sua mãe sem danos físicos ou psicológicos e isso, será saudável para ambos.

É sempre importante frisar: qualidade é fundamental, a quantidade nem tanto.

É brincando que a gente se entende!

 

O brincar tem um lugar e um tempo próprios… Para controlar o que está fora, deve-se fazer coisas e não simplesmente pensar ou desejar, e fazer coisas, implica em tempo. Brincar é fazer.

                                                                                                                                                                                                                      Winnicott (1975)

 

Quem foi que disse que brincar não é coisa séria?

 

Pois sim, brincar é algo muito sério e deve ser respeitado, pois é através dessa atividade – extremamente elaborada e complexa – que as crianças começam a se descobrir como sujeitos, elaborar suas questões, dar vazão a criatividade e preparar-se para adentrar o mundo dos adultos posteriormente.

 

É através da brincadeira que as crianças exploram um mundo intermediário, que nem pertence a realidade externa, nem a interna, pertence a uma zona própria para a criação, na qual a ilusão é a força motriz. Aqui, utilizamos a palavra “ilusão” no sentido de poder criar, não de maneira pejorativa ou de cunho patológico.

 

É interessante frisar que essa atividade começa muito cedo, por volta dos primeiros meses de vida do bebê. Em um primeiro momento, a criança vai brincar com ela mesma, com o corpo da mãe e depois passará a outros objetos. Será brincando que o mundo interno será povoado e por conseguinte, teremos um sujeito criativo (no mais amplo sentido) e saudável.

 

Brincando com uma propaganda veiculada recentemente: Porque brincar faz bem!

Tempo de férias x Tempo de aulas

 

Nada como as férias do meio do ano para revigorar a gurizada e, em alguns casos, dar um cansaço nos pais. As crianças definitivamente precisam desse tempo para descansar e poder diversificar as atividades através de brincadeiras, passeios ou qualquer outra possibilidade que vá além da escola.

 

Contudo, o tempo é pequeno entre o início e o fim das férias e logo os pequenos retomam suas atividades: uns com saudades, outros nem tanto. O fato é que nos encaminhamos para o fim do ano letivo e nesse momento parece ser comum que algumas questões de desempenho escolar não satisfatório, a qual vinha se arrastando até então, tornar-se urgente.

 

Salienta-se que, muitas dessas dificuldades escolares podem ser questões relativamente simples de serem solucionada: algumas vezes a criança sofre com dificuldades visuais ou auditivas, as quais indiscutivelmente dificultam o aprendizado.

 

Já outras, as de cunho psicológico, são mais complexas no que tange a resolução. É preciso avaliar e compreender o que está acontecendo com a criança e por que razão está aparecendo no contexto escolar. Uma hipótese (que compartilho com outros colegas e estudiosos) é que, as crianças atualmente passam muito mais tempo envolvidas com as atividades da escola e, portanto é nesse local que suas questões acabam se desenrolando, mesmo quando seus conflitos não estão vinculados diretamente a escola propriamente dita.

Bom retorno as aulas!

Terapia das Havaianas? (Quando as palavras falham, as ações surgem)

 

Há quem acredite que uma maneira eficaz e adequada de educar crianças chama-se “terapia das Havaianas”, ou seja, uma boa chinelada e as coisas se resolvem. Contudo, não entendo que as coisas andem bem por aí, se pensarmos na conduta do adulto, principalmente.

Parece-me que quando a fala se torna impossível ou ainda, quando se mostra insuficiente é comum que se passe ao ato. Isso poderia ser exemplificado em várias situações, entretanto uma das mais comuns e igualmente uma das mais controversas é sobre o uso da força – palmadas, etc. – na “educação” das crianças.

O adulto em franca vantagem física pode não ter clareza da brutalidade que sua ação supostamente educativa pode ter para uma criança. Sua palavra falha diante de um ser pequeno e, algumas vezes, desafiador; na falta de um recurso, usa-se outro: a força física.

Imaginar a cena é o suficiente para muitos entenderem a desproporção que se apresenta. Quando me refiro a desproporção é em vários sentidos: de tamanho, de força e, talvez o mais importante, de maturidade.

O interessante é pensar como um ser pequeno pode simplesmente privar os pais da capacidade de pensar e buscar outra solução para a questão na qual estão envolvidos.

O que certamente será um aprendizado quando pensamos na possibilidade de bater em uma criança, será: aprende-se que quem grita mais alto, é ouvido; que quem bate mais forte, é “respeitado”; que quem deveria ser mais maduro por ser mais experiente e portanto, mais lúcido, nem sempre conseguirá entender e ensinar isso.

Trauma e Boris Cyrulnik: um autor que merece ser lido

A questão do trauma e suas implicações certamente é um dos pontos centrais na teoria psicanalítica. Entretanto, diante da realidade atual em que vivemos, das situações diárias com as quais nos defrontamos com violência, negligência, dentre tantas outras possibilidades da dor mostrar sua face, trazer o tema do trauma para discussão me parece absolutamente necessário.

Para tanto, vou começar esse tema – o qual será explorado em vários outros momentos novamente – trazendo um autor que trata da questão com a delicadeza necessária, sem perder o comprometimento com a complexidade que se exige quando abordamos pontos delicados como esse, do trauma e suas implicações.

Quando falamos de algo que nos traumatizou, buscamos um lugar para isso dentro de nós mesmos. Buscamos um sentido para algo que circula como um fantasma sem nome, sem casa, sem destino – mas que perturba, que nos inquieta, que nos assombra. É sobre isso e nesse tom que Cirulnyk traz a noção de trauma e as possibilidades que cada sujeito acha de lidar com ele.

Cyrulnik (2005, p.47) nos diz que:

“Toda fala pretende iluminar um pedaço do real. Mas, ao fazer isso, transforma o acontecimento porque objetiva tornar claro algo que, sem a palavra, continuaria na ordem do confuso ou da percepção sem representação.

Contar o que aconteceu significa interpretar o acontecimento, atribuir um significado a um mundão que foi perturbado, a uma desordem que compreendemos mal e à qual já não podemos reagir.

É necessário falar para tornar a pôr as coisas em ordem, mas falando interpretamos o acontecimento, o que pode lhe atribuir mil direções diferentes. “

                                                                                Fragmento do livro O Murmúrio dos fantasmas,

de Boris Cyrulnik (2005) 

 

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