A rotina é reconfortante.
A rotina, o fazer igual, ter seu dia como qualquer outro é algo bom, esperado, e que na falta dele, você sentirá saudade.
Esses dias com seus eventos cotidianos são o nexo das nossas vidas e quando rompidos nos dão a exata clareza do quanto, na verdade, primamos pelas nossas rotinas. Viver num caminho de dias e noites com eventos que seguem aparentemente controlados pelo nosso desejo oferece a possibilidade de nos sentirmos até mesmo livres e proprietários nas nossas vidas.
Viajar é algo maravilhoso e até mesmo necessário? Concordo plenamente. Entretanto, essa sensação alcançada pelo desprendimento entorpecente de uma viagem só se oferece porque temos um contraponto, ao qual voltaremos e queremos voltar: nossa rotina.
Você está jurando que não se identifica com nada disso, que não tolera a rotina, que sua vida é um jogo louco de improvisos e eventos fortuitos. Engana-se que não goste de rotina: ter a vida louca evitando a todo custo eventos “repetitivos”, torna-se a sua própria rotina: evita-la também é uma rotina.
Um dia que se parece com o outro e no qual você consegue se achar nele, tem cheiro de bolo de bolo feito em casa, tem o aconchego de uma lareira em dia frio, tem aquele olhar da mãe para o filho: complacente com um certo desejo de burlar alguma regrinha – sair da rotina, e ao mesmo tempo terno, de quem sabe que você está confortável sem estar indiferente a sua vida.
Já dizia um sábio estudioso da alma humana: a saúde está ligada ao sentimento de continuidade que teremos em nossa vida! Então, deixemos a rotina seguir seu curso e tratemos de aproveitar essa ilustre conhecida de todos os dias! Você pode não concordar, talvez você não concorde com muitas coisas, não será um estilo rotineiro seu?